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Objeto transicional e sua importância para a criança

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Talvez você nunca tenha ouvido falar desse conceito e nem imagina do que se trata, mas com certeza você já vivenciou esse período da vida e passará por ele novamente com filhos, netos e sobrinhos pequenos. Ainda assim, poucos sabem defini-lo ou compreendem sua importância para a vida dos bebês.

Conhecendo o objeto transicional

Você já viu um bebê agarrado com um paninho, uma boneca ou mesmo um ursinho? Objetos que ele cheira, abraça, arrasta para todos os lados e não solta nem na hora de dormir?

Pois é, se trata do objeto transicional. É através desse objeto que o bebê realiza os primeiros experimentos de diferenciação entre o EU e o mundo (o outro) e é ele que ajuda o bebê a suportar a distância física da mãe e a lidar com situações desconhecidas.

objeto transicional Pupano

Imagens: Lino (Charlie Brown) – petitebox – Girafa Bete Pupano

Quando nasce, o bebê tem a percepção de que ele e a mãe são uma coisa só, para o recém-nascido, o seio da mãe lhe pertence e quando ele se dá conta que esta não é a realidade, passa por um período de frustração, pois perde o controle de um objeto essencial que ele achava que possuía. Nessa fase, a criança começa a elaborar o que está dentro e fora dela, o que faz parte de seu mundo interior e o que corresponde ao mundo externo.

Segundo o psicanalista Donald Winnicott, o objeto transicional, representado por algo macio e seguro, oferece a criança a possibilidade de explorar o objeto e, consequentemente, o que está fora dele. Depois de perder o controle que o bebê supunha ter sobre o seio da mãe, agora é a fase de testar seu próprio domínio: ter um objeto que permanece e obedece aos seus desejos.

Nessa fase, o bebê precisa sentir que, mesmo com seu desejo destrutivo, o objeto permanece. “Ao mesmo tempo em que os Objetos Transicionais são inseparáveis e muito amados pela criança, eles também podem ser momentaneamente odiados, isso acontece porque é nele que a criança vai expressar seus sentimentos, suas emoções. Por isso, não é incomum a criança arremessá-lo para longe. Mesmo “destruído”, a criança perceberá que seu objeto amado continua existindo, não como algo físico, mas como algo que o conforta nas transições presença-ausência materna […]” (Patrícia Schneider – Psicóloga do NAP)

O tempo da criança com o objeto transicional varia muito e é fundamental que esse período seja respeitado devido a sua importância na vida das pessoas. Segundo Schneider, “O Objeto Transicional auxilia no desenvolvimento psíquico saudável da criança, para que ela possa confiar em si mesma e nas pessoas que a rodeiam, e assim permitindo que se torne um “ser total” pronto para encarar e enfrentar o mundo externo”

Quer saber mais sobre objeto transicional? Os textos abaixo vão te ajudar a compreender melhor esse assunto:

A imagem de capa é uma das fotos do ensaio da artista Anna Ream, que fotografou crianças com seus objetos transicionais. Para ver todas as fotos é só clicar aqui.

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